Faces

“Isto é ser africana”

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Recentemente galardoada pela quarta vez consecutiva com o prémio Criadora do Ano do Moda Luanda, Nadir Tati não se esquece nunca das suas origens: “sou uma mulher africana, sou uma mulher que olha para o mundo de uma forma diferente”.


Não só olha para o mundo de uma forma diferente como ela própria é uma mulher diferente. Criminologista e socióloga, Nadir descobriu a sua paixão no mundo da moda.


México, Alemanha e Estados Unidos foram apenas alguns dos países onde viveu. Uma vida recheada de experiências e de contacto com diferentes culturas que se reflete no seu trabalho. “Quando viajamos, não é só para ir à praia, é também para estudar povos diferentes. Por isso há sempre uma ligação entre o meu trabalho e os países onde estive. É um conjunto, eu vivi em vários países e eles fazem também parte de mim. As diferentes culturas que conheci acrescentam sempre alguma coisa ao meu trabalho.”


Um dos países onde viveu durante três anos foi precisamente Portugal, onde apresentou a sua última colecção a convite da ModaLisboa. “Tenho mostrado o meu trabalho em todo mundo. Neste momento penso ser a estilista mais internacional de Angola, e por isso havia uma urgência em chegar a Portugal. Sempre senti que o meu trabalho era muito bem aceite aqui”, conta-nos a designer.


O relógio marcava as 17h quando o Páteo da Galé se encheu de cores vibrantes e pano africano. A colecção de Nadir Tati marcou o ritmo com vestidos imponentes que não deixaram ninguém indiferente.



Se a designer angolana tivesse de escolher três palavras para descrever as suas criações, seriam: “liberdade, sofisticação e glamour”. Mas porquê liberdade? Porque “a colecção fala dos quarenta anos de independência de Angola, são os quarenta anos de liberdade e os quarenta anos de Nadir Tati”.


É nesta carga histórica que está a grande diferença entre a moda africana e a moda feita no resto do mundo, afirma a criativa. “África tem uma história para contar! Uma história que já começou há muito tempo mas que ninguém contava. Hoje temos os media a acompanhar essa história e podemos mostrá-la ao mundo. Os grandes nomes de África, as pessoas que lutaram realmente pelo nosso continente, sempre se vestiram assim.”


É esta carga cultural que o pano africano tem que o torna tão especial, e é por isso que Nadir o preserva nas suas colecções, ainda que o misture e o adapte ao mundo. “A minha identidade não deve ser perdida e eu preservo-a em todas as suas formas. As cores do meu continente são tendência, é para ele que o mundo está virado. Se os designers europeus podem usar motivos africanos, porque é que eu, que estou lá, não posso?! Eu insisto em contar a História de África quer as pessoas gostem, quer não.”


É na sua história que se inspira, mas é nas mulheres africanas que se revê e para elas que trabalha. “A mulher africana é especial! Apesar das dificuldades que vivemos, conseguimos levantar a cara e olhar para o mundo sem chorar! Nós vimos de um país em conflito onde até há pouco tempo, a nossa maior prioridade era sabermos o que íamos beber e comer, mas nem por isso parámos de trabalhar. Nunca perdemos a motivação, mantivemos sempre a vontade de fazer mais e melhor. É esta força que eu tento passar para a passerelle. Isto é ser africana!.”